terça-feira, 26 de abril de 2011

O Preconceito Musical

O preconceito musical não é como os outros tipos de preconceito. Não, ele não se inicia na própria música.
Indiferenças como racismo no Brasil, fruto de suposições errôneas ou até mesmo por influência, são geradas por fatores históricos (nesse caso escravidão negra), e sempre seguem a mesma reta da sua origem, sem sofrer demasiadas alterações de contexto. Já com a música é diferente, pois o preconceito referente à diversidade de estilos e gostos musicais não é própria e puramente iniciada dentro da música. Em outras palavras, o preconceito na música não se inicia com a própria música, sendo apenas a extensão de outros tipos de preconceito que, por consequência, se prolongam, não tão somente no Ramo, como também em outras formas de Arte.
A base do preconceito se dá quando um grupo (étnico, religioso, sexual...) tenta impor sua falsa soberania e importância em relação a outro grupo. Entretanto sabemos que, de fato, nenhum aglomerado, nenhum grupo será, na Terra, superior a outro em relação a qualquer desses aspectos. Em contrapartida também sabemos que, mesmo no Mundo de hoje, o preconceito existe, persiste e está longe de ter fim. Isso se faz verdade, focando o preconceito cultural, com o preconceito musical.
O que se diz no Ramo em relação a gosto e estilo musical (e todo mundo acredita ser verdade) é que existe música superior a outra. Isso é mentira. O que ocorre é o preconceito maquiado a um determinado grupo, que se prolonga na Arte, como já foi citado. Mas antes de outras explicações, transfiramos este mesmo discurso para o contexto étnico: seria o mesmo que dizer que os europeus são superiores aos asiáticos! Daí tira-se a base deste post: assim como ninguém é melhor que ninguém, não existe música superior a outra, uma vez que esta é fruto de nós mesmos, “concebedores” de tantos ruídos.
Colocando o que já foi citado nos parágrafos anteriores em prática, resolvi, depois de muito hesitar, supor, nada aleatoriamente: um grupo seguidor do gênero musical Metal (rock “pauleira”), por motivos apresentados como estritamente musicais, critica destrutivamente e não tão somente, deprecia gravemente outro grupo musical do gênero Happy Rock (um “recente” gênero musical lançado). Apóia-se no distorcido discurso de que esse último gênero não tem potencial musical igual ao seu, suas canções são banais, seus integrantes incompetentes e seus seguidores, os mais perseguidos, com ausência do que seria o gosto musical ideal. O que não se sabe (Tá bom...) é que, por trás de todo esse absolutismo musical, existe um grande, poderoso e extenso tipo de preconceito, guardado por toda a população e despertado de outras formas, sutis, implícitas: o preconceito sexual. Por trás de tudo isso, leitores, existe, na verdade, a indiferença e o repúdio pelo grupo que adota o gênero “inferior”. Sim, por que não se pode encobrir que, no geral, grande parcela dos seguidores do gênero musical que sofre com esse preconceito são meninas, acompanhadas pelos meninos “descolados” e os homossexuais. Os opressores musicais (podemos chamar assim) procuram um gênero específico para expressar seu machismo, feminismo e homofobia sem serem notados... Até por que tudo não passa da liberdade de expressão musical, afinal (caiamos nessa). Sem esquecer-me de outros pontos: ainda sobra espaço por parte dos tais seguidores do Metal para depreciar o modo de vestir-se, o ponto de vista, os instrumentos do gênero que tanto diminuem.
Ah, queridos vendados, e o preconceito musical ocorre com o estilo africano, logo associado à religião pagã satânica (farsa das igrejas cristãs), com o gênero Pop musical, também vitima de constantes opressões por parte de radicais preconceituosos... Tudo isso sempre com bases que não tem nada a ver com a Música. Em outras palavras, os praticantes de bullying, racistas, homofóbicos, e/ou participantes de qualquer grupo radical preconceituoso utilizam-se da Música para expressar aquilo que são proibidos (embora não incapazes) de fazer explicitamente em sociedade.
Tanta farsa, mentiras maquiadas, lindas e intocáveis. Tanta distorção quando a Música quer apenas soar! Tantos tabus acumulados por nós mesmos que se estendem até por onde não deveriam se estender... Tanta ignorância e intolerância! Até pela Arte o Homem consegue manifestar seu descontentamento desrespeitoso para com o outro... Desde sempre não é mesmo? Eu não quero dizer que não há música, de fato, maliciosa, apelativa, inconveniente e até imprópria, mas quero dizer que, mesmo nestas condições, a ética (aliás, a moral) deve sempre estar à frente de tudo, pois, se tal canção existe, a causa está nas pessoas ouvem e interiorizam-na como Música.
Tanto mesmo quando já se sabe que o preto não é e nem será melhor que o rosa, que o grupo indígena não será melhor que o povo britânico... Tudo isso quando o som de uma canção representa algo importante (ou não) no coração de cada Ser... Tudo isso quando o Mundo real e o musical pedem, em meio ao estrondo de uma bomba nuclear ou sob o som de uma flauta, apenas o respeito, a Paz e a União entre nós, criados e criadores do próprio Mundo, da própria Arte.